sábado, 17 de novembro de 2007

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Método Bino para conseguir um marido de sonho
A razão de vários títulos.

Após o retumbante êxito do meu último livro, decidi regressar agora com este novo inédito, intitulado: “Método Bino para conseguir um marido de sonho”.
Mais do que um mero título, o que importa realçar nesta obra é que ela pretende dar grandes esperanças a essa crescente imensidão de mulheres infelizes que vivem desesperadas por conseguir um homem que as ame.
Mas porque as minhas palavras contêm ensinamentos universais, igualmente úteis aos homens, será justo agradar tanto a gregos como a troianos. E, nesse sentido, se quem me estiver a ler for homem, por favor ignore o título inicial acima proposto e substitua-o por este outro, mais apropriado à sua condição de macho:

Método Bino para comer cabras
(e outras gajas difíceis).

A dificuldade das tarefas que me proponho aqui ensinar, exige que se comece pelo princípio das coisas. Além disso, convém impressionar desde já, dando a entender que esta é uma obra séria, fruto duma mente conhecedora. Como tal, despacharei rapidamente as seguintes questões:

1- Existência de Deus.
2- O sentido da vida.
3- Existência de vida após a morte.

E tratarei primeiro destes temas mais fáceis para que, posteriormente ao longo da minha prelecção, outros assuntos mais fascinantes, mas mais complexos devido à sua natureza prática, possam ser alvo da minha análise com o rigor merecido. Refiro-me naturalmente, entre outras, às seguintes matérias:

Para senhoras:

1- Como conseguir um marido de sonho.
2- Como sacar-lhe dinheiro.
3- Como descobrir que ele tem outra (mesmo que não tenha).
4- Como conseguir um divórcio vantajoso e sacar-lhe o resto da massa.

Para gajos:

1- Como conseguir que ela engula.
2- Como comer um cu em 3 simples passos.
3- Como ir para a cama com duas mulheres ao mesmo tempo.
4- Não me lembro da nº4, ainda estou a pensar na anterior.


1 - A existência de Deus; o sentido da vida; vida após a morte.

Sobre a existência de Deus, teremos de começar por definir com rigor os conceitos de “Deus” e “existência”. E mais lá para o fim, porque tempo é coisa que aparentemente não vos falta (ou não estariam aqui a perdê-lo) aproveitaremos para analisar quantos deuses existem (um, nenhum, vários). E também, só por mera curiosidade, qual o seu aspecto (incluindo a cor do cabelo).

Dos vários tipos de Deuses (para vermos se existe algum) convém começar pelo Deus todo-poderoso. Se este não existir, escusamos de verificar os outros (mais fraquinhos) que assim poupamos tempo e trabalho.
Recentemente, de há uns milhares de anos para cá, o Deus Pai todo-poderoso tem vindo a ocupar o lugar cimeiro do Top-Ten relativo ao género de Deus preferido das pessoas.
Ele é omnipresente, omnisciente e omnipotente; criador do universo, pai da humanidade e etc. Mas será que esse Deus existe?

Parábola:

Um homem desceu da montanha onde vivia e caminhou rumo ao Sul. Chegando às margens dum grande rio, as gentes que por ali habitavam falaram-lhe dum Guru muito sábio.
O homem achou boa ideia ir falar com o tal mestre para lhe perguntar sobre a existência de Deus.
Porra, disse-lhe o Guru, vieste ter comigo só para saber se Deus existe? Poupa-me, caralho!
O homem ficou surpreendido pela resposta do venerável mestre. As suas palavras significariam um “sim” ou um “não”?
A desilusão percorreu-lhe o espírito. Quando esperava que o Guru evocasse as cinco vias clássicas para provar a existência de Deus; que discorresse sobre o ser e o não ser, eis que nada disso sucede. Este Guru é uma fraude, pensou o homem, daria um excelente 1º ministro, concluiu.
Prosseguindo a sua jornada, nessa noite, enquanto dormia, o homem sonhou que estava novamente na presença do Guru. Durante o sonho, o ilustre sábio explicou-lhe que a pergunta era estúpida e, pior que isso, era cínica.
Então o homem compreendeu que deveria actuar e pautar a sua vida de acordo com o que lhe parecesse correcto, independentemente de existir ou não um Deus moral e castigador.
Deus é amor, ensinou-lhe o Guru, se tiveres amor no coração então Deus existirá. De que te vale existir Deus, se não O tiveres dentro de ti? Preocupa-te em viver a vida de forma justa e deixa Deus em paz. Especialmente pára de andar sempre a pedir-lhe favores. Neste momento, a imagem de Deus apareceu-lhe no sonho: era a “fotocópia” do Valentim Loureiro.
O homem despertou convicto de que tinha andado a perder tempo com um problema da treta. Mas uma nova questão o atormentava agora: o Guru mandara-lhe viver a vida. Isso era bom, significava que a vida merecia ser vivida. Porém, qual o sentido desta?
Com tal pergunta no pensamento, o homem continuou a sua viagem em direcção ao Sul. Tendo atravessado o grande rio, alguns quilómetros depois, ele encontrou uma pequena localidade. Esta nada parecia ter de especial, não fosse o facto de possuir uma pedra colocada na sua principal rua contendo a seguinte inscrição que, a quem ali passa, ensina o sentido da vida:
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"Cada vida continua uma vida passada e uma outra continuará a nossa"

Feliz por ter compreendido o sentido da existência humana, o homem retrocedeu a sua marcha. Estava disposto a ir novamente visitar o Guru, desta vez para lhe perguntar se existe vida depois da morte.
Mas curiosamente, enquanto regressava, começou a importar-lhe cada vez menos essa questão. Reflectindo, o homem percebeu que, para já, o importante era viver esta vida. Quando morresse teria tempo para se preocupar com a vida depois da morte. E recordando as sábias palavras do poeta, compreendeu que nenhum juízo final lhe devolveria os momentos não vividos nesta vida, nem os gestos de amor por realizar.
Então o homem resolveu cagar-se no Guru, dispensando os seus ensinamentos. Não tinha mais tempo a perder, regressou rapidamente à montanha onde vivia. Quando enfim chegou a casa, imediatamente ele e a sua Maria mocaram que nem coelhos, muito felizes até ao resto das suas vidas. Fim!

Epílogo

Na verdade, a Maria acabou por fartar-se de estar sempre a levar com o mangalho do homem. E ele, por seu turno, foi-se aborrecendo por não ela não se prestar a variedades.
Aos poucos a relação entre os dois esmoreceu até que acabaram por se divorciar.
Ambos foram vistos pela última vez indo ao encontro do Guru, para receber novos ensinamentos. Ela, querendo aprender como arranjar um marido impotente que lhe desse sustento; e ele, como conseguir foder carregamentos de gajas da forma mais depravada que um homem consiga imaginar.
Ignora-se o que lhes disse o Guru. A Deus, foi que usasse restaurador Olex (o tal que devolve aos cabelos a sua cor primitiva).
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Nota: os restantes assuntos serão aqui tratados oportunamente.



Segunda-feira, Outubro 15, 2007
A reaparição dos irmãos Aparício (continuacion do post anterior)
(convém ler primeiro o post antes deste)
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É nas horas difíceis que se vê quem são os verdadeiros amigos. Quanto mais se afastavam da roulotte de Stephanie, mais pesava a consciência aos Aparícios. Se calhar fizemos mal em ter vindo embora, disse Samuel. O Cabrita pode estar em apuros.
Vítor sugeriu, o melhor é tirarmos à sorte para saber se devemos voltar
(A quem não conhece Vítor Aparício, nem dele nunca tenha ouvido falar, saiba que este espantoso trapezista andava sempre munido dum baralho de cartas de jogar. A teoria dominante acerca disso era a de que Victor tinha o vício do jogo. Embora ele rejeitasse a acusação alegando que preferia sexo às cartas).
Vítor exibiu o baralho a Samuel e combinaram que se saísse uma carta de naipe vermelho voltariam para trás.
Samuel puxou uma carta e virou-a:
- Terno de paus.
Tu não baralhaste, queixou-se Samuel. Vítor concordou.
Baralharam-se as cartas e uma nova carta foi retirada.
-Rei de espadas.
Baralhaste mas não me deixaste cortar, reclamou novamente Samuel.
Três tentativas mais e sempre saindo cartas negras. Até que finalmente apareceu a manilha de copas. Obedientes ao destino decidido pelas cartas, os Aparícios regressaram.
Mas ainda não tinham dado talvez meia dúzia de passos, puderam ouvir, na escuridão da noite, um barulho e um gemido. Perceberam que alguém, sofrendo com dores, estava caído no chão tentando erguer-se. Os Aparícios correram em auxílio reconhecendo o Cabrita. Enquanto o ajudavam a levantar-se, a luz dum súbito raio de lua surgido por entre as nuvens revelou-lhe a cara ensanguentada. Notaram também, debaixo dos seus pés, esfrangalhado no chão, o ramo de flores que tinham visto Antero transportar ainda há pouco
Samuel, furioso, desatou a correr no sentido da roulotte de Stephanie.
Onde vais tu? Perguntou Vítor.
Fica aí a socorrer o patrão que eu vou dar uma sova ao Antero. Filho da puta do anão está muito enganado se julga que isto fica assim.
Samuel tem calma, ordenou Cabrita.Calma não, senhor. Eu sou um antigo pára-quedista, fui treinado para resolver certas situações de forma violenta. E esta é uma delas, vou dar cabo do Antero.


Domingo, Setembro 23, 2007
A história dos meus amigos (recapitulando, 1)
Domingos era um afamado enfermeiro cá da terra, cuja experiência em práticas curativas remonta aos tempos em que se iniciou como enfermeiro improvisado na Guiné, durante a guerra colonial. Barradas, que é sobrinho do Domingos, quando era jovem, via no tio uma espécie de herói e modelo a quem imitava e seguia para onde quer que Domingos fosse. E Domingos ia para muito lado, porque naquele tempo, no exercício das suas funções, Domingos costumava acompanhar o grande Tito de La Lomba, fenomenal novilheiro português natural do Entroncamento.
Domingos prestava preciosos serviços de enfermagem a Tito, que muitas vezes (muitas mesmo) durante as suas actuações pelas arenas de Portugal e Espanha, sofria tremendas colhidas e cargas de porrada de animais com cornos, nomeadamente novilhos, touros e maridos de namoradas casadas.
No Inverno, época em que na península ibérica não se realizam touradas, Tito de la Lomba ganhava a vida como amestrador de feras no circo Romagnoli.
O Grandioso Circo Romagnoli, vivia naquela época os seus tempos áureos, desde que o Sr. Cabrita, brilhante empresário algarvio radicado em Vila Nova da Barquinha, o havia adquirido a Dom José Romagnoli, na condição de manter a empresa com o nome do seu fundador.
Da falência iminente ao apogeu, foi um curto espaço de tempo. Sob a direcção de Cabrita o Circo Romagnoli contava agora com algumas das figuras maiores da arte circense nacional. Havia uma família de trapezistas, os fabulosos irmãos Aparício, que por acaso até são meus primos e que disputavam com Tito de La Lomba, o lugar de principal figura do espectáculo.
A rivalidade entre os Aparícios e Tito era imensa. Ambas as partes tentavam superar-se constantemente, apresentando números cada vez mais arrojados e perigosos. Mas a rivalidade ultrapassava o espectáculo na pista, pois um dos Aparícios, Luís, disputava ferozmente com Tito o coração (e os favores sexuais) de Stephanie, a contorcionista da companhia.
A contorcionista francesa que ingressou no Romagnoli em 1976, era artisticamente conhecida por Stephanie, embora o seu verdadeiro nome fosse Natércia e, de facto, tivesse nascido em Alcochete. Não obstante, Stephanie insistia em exprimir-se na língua de Alexandre Dumas e gostava de se apresentar na condição de estrela internacional gaulesa.
O talento de Stephanie, contudo, era medíocre. O seu sucesso na arte circense baseava-se sobretudo numa aparência física excepcional, composta por um corpo de sonho (que só dava vontade de comer) e um rosto incrivelmente belo, cuja boca só apetecia beijar (ou pior). E era graças a essa beleza corporal de Stephanie, maximizada por um bikini minúsculo, que um número de contorcionismo perfeitamente banal se transformava num espectáculo soberbo, particularmente interessante pela sua sensualidade.
Stephanie era uma artista excepcionalmente bem remunerada. A forma como decorreu a negociação do seu contrato com Cabrita, ainda hoje permanece nos anais da história do circo Romagnoli, como símbolo de firmeza e engenho negocial. Reza a lenda que, após uma longa série de reuniões no gabinete de Cabrita, as partes não conseguiam entender-se relativamente aos valores a receber por Stephanie. A francesa queria mais, mas Cabrita recusava-se, repetindo que não havia dinheiro. Então, disposta a jogar uma cartada decisiva, Stephanie convidou Cabrita para realizarem nova ronda negocial, mas desta vez só os dois, num ambiente mais íntimo, na roulotte da artista. Ele, embora percebendo a marosca, corajosamente concordou. Stephanie achou que já o tinha no papo.
Mas Cabrita era muito hábil. Embora comparecendo no dia combinado, cumpriu a regra dos bons negociadores, chegando com cinquenta minutos de atraso e apenas para repetir o mesmo de sempre: que a companhia não tinha dinheiro que permitisse pagar mais.
Os Aparícios, naqueles dias, andavam também a negociar os valores da renovação do seu contrato e estavam muito interessados em saber qual a verba que Stephanie iria ganhar. A ideia era exigir ao Cabrita o suficiente para continuarem a ser os artistas mais bem pagos do Romagnoli e portanto, nunca menos do que Stephanie. Mas, por outro lado, também não queriam pedir um valor excessivo que ofendesse o Cabrita. Dispostos a obter tão preciosa informação, decidiram espiar as negociações indo encostar-se ao exterior da roulotte, espreitando pela janela e tentando escutar a conversa entre Cabrita e Stephanie.
No interior da roulote o tempo arrastava-se. Cabrita continuava irredutível. Stephanie, percebendo a firmeza do empresário, optou por fazer o que tinha planeado (lançar a bomba atómica). Pediu licença, retirou-se, e alguns segundos depois regressou praticamente nua. A pretexto de querer mostrar uma novidade que pretendia introduzir no seu número, Stephanie havia-se livrado das roupas e trazia agora apenas um bikini escandaloso, em tons de leopardo, próprio das actuações em pista. Era nítido que a contorcionista pretendia atingir o seu objectivo através do assédio sexual. Permanecendo sentado, Cabrita tentou manter a fleuma, mas não tardou que o suor lhe alagasse toda a fronte. As dimensões reduzidas da roulotte obrigavam a que Stephanie, ao exibir-se, quase roçasse o corpo na sua cara. Lá fora, face ao que assistiam, os Aparícios temeram pelo seu estatuto de artistas mais bem pagos da companhia. Interrogaram-se: conseguiria Cabrita resistir e continuar a dizer que não?
Perturbados pelo cenário a que assistiam, os Aparícios, lá fora, quase entravam pela janela. Por sua vez, lá dentro, Cabrita afundava-se na cadeira recuando face a Stephanie. Mas o empresário, fiel aos seus princípios, apesar da carne apetitosa rente ao seu corpo, resistia estoicamente repetindo que não tinha dinheiro. Entretanto, os Aparícios notaram que ao longe se aproximava um vulto. Vinha a pé do lado do parque de estacionamento alguém que parecia caminhar lentamente em direcção à roulotte.
O dia terminava, mas ainda existia claridade suficiente para adivinharem que aquilo que viam, embora parecesse um ramo de flores andante, provavelmente seria Antero, o marido de Stephanie, que chegava carregando um ramo de rosas vermelhas. Era um ramo tão grande, que lhe escondia a cabeça. Decerto era para oferecer à esposa. (Pensando agora no assunto, quase me esquecia de vos informar que Stephanie era casada).
A respeito de Antero, importa explicar que era espanhol. Daqueles andaluzes temperamentais de sangue quente. Acabava de chegar, após breve deslocação a França e vinha juntar-se à esposa.Zé Miguel, o filho de Cabrita, tinha ido buscá-lo de carro à estação ferroviária de Vilar Formoso. O regresso do marido de Stephanie mereceu um breve diálogo entre os irmãos Aparício. Isto agora, são eles a falar:
- O Antero chega e encontra a mulher despida com outro homem. Cheira-me que vai haver merda.
- Talvez não. Na volta, nem se rala.
- Pois sim. Se fosse algum intelectual das zonas finas de Lisboa, se calhar até ia achar graça. Mas lá na Espanha, os gajos inclusivamente são capazes de possuir um termo específico na língua deles correspondente à nossa palavra Cabrão e concerteza que é ofensivo.
- Pretendes dizer que o Antero não está sintonizado com as mais recentes tendências da liberdade sexual própria dos anos 70 e quando abrir a porta da roulotte vai ter uma reacção machista e, quiçá, até violenta?
- Violenta? Violenta, não sei. Mas que puxará da navalha de ponta e mola, disso não tenho dúvidas.
Os Aparícios calaram-se por instantes para pensar. Enquanto isso, ora miravam Antero aproximando-se, ora espreitavam Cabrita e Stephanie quase pegados. Uma tragédia poderia estar iminente. De modos que uma dúvida instalou-se nas suas cabeças: deveriam avisar o Cabrita?
Pensaram. Olharam-se por breves segundos. Fizeram cara de achar que sim. Mas de repente, um esgar, um sorriso velhaco e o soltar dum uníssono “nahhhhh”. Foram-se embora, deixando Cabrita entregue à sua sorte.
Passado um minuto, o marido de Stephanie abriu a porta da roulotte.
O grande Antero (nome artístico) tinha um passado envolto em pormenores mal revelados. Não havia a certeza de realmente ser espanhol. Ao certo, sabia-se que trabalhara num circo em França onde conheceu Stephanie. Consta que o pai dela, desgostoso com o casamento da filha, se terá suicidado. Mas Tito de La Lomba sabia que não era verdade. Numa noite de copos, Antero confidenciou-lhe que o sogro tinha morrido subitamente na cama com uma puta durante um “69” (ironicamente, o Pai de Stephanie era conhecido por "Estêvão das matemáticas").
Mas o facto da sua morte ter sido acidental, não significa que Estêvão não tivesse tido um grande desgosto com o casamento da filha. Realmente a todos pareceu estranho que Stephanie, uma mulher tão bela, tivesse tomado Antero por consorte. E não pelo facto de este ser um inveterado mulherengo, mas porque realmente era um homem muito feio (independentemente de ser anão).




Continuação do post anterior) - 4 ª Parte
Se deveriam alertar o Cabrita? Eis a pergunta que os irmãos Aparício fizeram a si próprios.
Pensaram. Olharam-se por breves segundos. Fizeram cara de achar que sim. Mas de repente, um esgar, um sorriso velhaco e o soltar dum uníssono “nahhhhh”.
Foram-se embora, deixando Cabrita entregue à sua sorte.
Passado um minuto, o marido de Stephanie abriu a porta da roulotte.
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O grande Antero (nome artístico) tinha um passado envolto em pormenores mal revelados.
Não havia a certeza de realmente ser espanhol. Ao certo, sabia-se que trabalhara num circo em França onde conheceu Stephanie. Consta que o pai dela, desgostoso com o casamento da filha, se terá suicidado. Mas Tito de La Lomba sabia que não era verdade. Numa noite de copos, Antero confidenciou-lhe que o sogro tinha morrido subitamente na cama com uma puta durante um “69” (ironicamente, o Pai de Stephanie era conhecido por "Estêvão das matemáticas").
Mas o facto da sua morte ter sido acidental, não significa que Estêvão não tivesse tido um grande desgosto com o casamento da filha. Realmente a todos pareceu estranho que Stephanie, uma mulher tão bela, tivesse tomado Antero por consorte. E não pelo facto de este ser um inveterado mulherengo, mas porque realmente era um homem muito feio (independentemente de ser anão).
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(Continua... pois, que remédio)



(Continuação do post anterior)
A história dos meus amigos (Parte 3).
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Perturbados pelo cenário a que assistiam, os Aparícios, lá fora, quase entravam pela janela. Por sua vez, lá dentro, Cabrita afundava-se na cadeira recuando face a Stephanie. Mas o empresário, fiel aos seus princípios, apesar da carne apetitosa rente ao seu corpo, resistia estoicamente repetindo que não tinha dinheiro.
Entretanto, os Aparícios notaram que ao longe se aproximava um vulto. Vinha a pé do lado do parque de estacionamento alguém que parecia caminhar lentamente em direcção à roulotte.
O dia terminava, mas ainda existia claridade suficiente para adivinharem que aquilo que viam, embora parecesse um ramo de flores andante, provavelmente seria Antero, o marido de Stephanie, que chegava carregando um ramo de rosas vermelhas. Era um ramo tão grande, que lhe escondia a cabeça. Decerto era para oferecer à esposa.
(Pensando agora no assunto, quase me esquecia de vos informar que Stephanie era casada). *1
A respeito de Antero, importa explicar que era espanhol. Daqueles andaluzes temperamentais de sangue quente. Acabava de chegar, após breve deslocação a França e vinha juntar-se à esposa.
Zé Miguel, o filho de Cabrita, tinha ido buscá-lo de carro à estação ferroviária de Vilar Formoso.
O regresso do marido de Stephanie mereceu um breve diálogo entre os irmãos Aparício.
Isto agora, são eles a falar:
- O Antero chega e encontra a mulher despida com outro homem. Cheira-me que vai haver merda.
- Talvez não. Na volta, nem se rala.
- Pois sim. Se fosse algum intelectual das zonas finas de Lisboa, se calhar até ia achar graça. Mas lá na Espanha, os gajos inclusivamente são capazes de possuir um termo específico na língua deles correspondente à nossa palavra Cabrão e concerteza que é ofensivo.
- Pretendes dizer que o Antero não está sintonizado com as mais recentes tendências da liberdade sexual própria dos anos 70 e quando abrir a porta da roulotte vai ter uma reacção machista e, quiçá, até violenta?
- Violenta? Violenta, não sei. Mas que puxará da navalha de ponta e mola, disso não tenho dúvidas. *2
Os Aparícios calaram-se por instantes para pensar. Enquanto isso, ora miravam Antero aproximando-se, ora espreitavam Cabrita e Stephanie quase pegados.
Uma tragédia poderia estar iminente. De modos que uma dúvida instalou-se nas suas cabeças: deveriam avisar o Cabrita?
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*1 - Isto, quando se trata de mulheres bonitas, o estado civil é um pormenor muitas vezes olvidado pelos homens (o que não foi o meu caso).
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*2 – Se o leitor mais atento notou em alguns trechos do diálogo, um tipo de linguagem parecida à de um polícia de trânsito, saiba que o pai dos Aparícios era um agente da autoridade (e figura paternal muito influente na forma de falar dos filhos).
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Continua, quando este post tiver um número de comentários jeitoso.

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Escrito sensualmente às 2:11 AM

7 comentários

Terça-feira, Agosto 21, 2007
(continuação do post anterior)
A história dos meus amigos - Parte 2
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A contorcionista francesa que ingressou no Romagnoli em 1976, era artisticamente conhecida por Stephanie, embora o seu verdadeiro nome fosse Natércia e, de facto, tivesse nascido em Alcochete.
Não obstante, Stephanie insistia em exprimir-se na língua de Alexandre Dumas e gostava de se apresentar na condição de estrela internacional gaulesa.
O talento de Stephanie, contudo, era medíocre. O seu sucesso na arte circense baseava-se sobretudo numa aparência física excepcional, composta por um corpo de sonho (que só dava vontade de comer) e um rosto incrivelmente belo, cuja boca só apetecia beijar (ou pior).
E era graças a essa beleza corporal de Stephanie, maximizada por um bikini minúsculo, que um número de contorcionismo perfeitamente banal se transformava num espectáculo soberbo, particularmente interessante pela sua sensualidade. *1
Stephanie era uma artista excepcionalmente bem remunerada. A forma como decorreu a negociação do seu contrato com Cabrita, ainda hoje permanece nos anais da história do circo Romagnoli, como símbolo de firmeza e engenho negocial.
Reza a lenda que, após uma longa série de reuniões no gabinete de Cabrita, as partes não conseguiam entender-se relativamente aos valores a receber por Stephanie. A francesa queria mais, mas Cabrita recusava-se, repetindo que não havia dinheiro. Então, disposta a jogar uma cartada decisiva, Stephanie convidou Cabrita para realizarem nova ronda negocial, mas desta vez só os dois, num ambiente mais íntimo, na roulotte da artista.
Ele, embora percebendo a marosca, corajosamente concordou. Stephanie achou que já o tinha no papo.
Mas Cabrita era muito hábil. Embora comparecendo no dia combinado, cumpriu a regra dos bons negociadores, chegando com cinquenta minutos de atraso e apenas para repetir o mesmo de sempre: que a companhia não tinha dinheiro que permitisse pagar mais.
Os Aparícios, naqueles dias, andavam também a negociar os valores da renovação do seu contrato e estavam muito interessados em saber qual a verba que Stephanie iria ganhar. A ideia era exigir ao Cabrita o suficiente para continuarem a ser os artistas mais bem pagos do Romagnoli e portanto, nunca menos do que Stephanie. Mas, por outro lado, também não queriam pedir um valor excessivo que ofendesse o Cabrita.
Dispostos a obter tão preciosa informação, decidiram espiar as negociações indo encostar-se ao exterior da roulotte, espreitando pela janela e tentando escutar a conversa entre Cabrita e Stephanie
No interior da roulote o tempo arrastava-se. Cabrita continuava irredutível. Stephanie, percebendo a firmeza do empresário, optou por fazer o que tinha planeado (lançar a bomba atómica). Pediu licença, retirou-se, e alguns segundos depois regressou praticamente nua.
A pretexto de querer mostrar uma novidade que pretendia introduzir no seu número, Stephanie havia-se livrado das roupas e trazia agora apenas um bikini escandaloso, em tons de leopardo, próprio das actuações em pista.
Era nítido que a contorcionista pretendia atingir o seu objectivo através do assédio sexual.
Permanecendo sentado, Cabrita tentou manter a fleuma, mas não tardou que o suor lhe alagasse toda a fronte. As dimensões reduzidas da roulotte obrigavam a que Stephanie, ao exibir-se, quase roçasse o corpo na sua cara.
Lá fora, face ao que assistiam, os Aparícios temeram pelo seu estatuto de artistas mais bem pagos da companhia. Interrogaram-se: conseguiria Cabrita resistir e continuar a dizer que não?
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(continua, quando as autoridades o permitirem e a mim me apetecer)
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*1- Digamos que era uma sensualidade muito apreciada pelo público masculino, que no final do número sempre aplaudia delirantemente (mas nunca de pé).

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Escrito sensualmente às 10:20 PM

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Segunda-feira, Julho 30, 2007
A história dos meus amigos (Parte 1)

Domingos era um afamado enfermeiro cá da terra, cuja experiência em práticas curativas remonta aos tempos em que se iniciou como enfermeiro improvisado na Guiné, durante a guerra colonial.
Barradas, que é sobrinho do Domingos, quando era jovem, via no tio uma espécie de herói e modelo a quem imitava e seguia para onde quer que Domingos fosse. E Domingos ia para muito lado, porque naquele tempo, no exercício das suas funções, Domingos costumava acompanhar o grande Tito de La Lomba, fenomenal novilheiro português natural do Entroncamento.
Domingos prestava preciosos serviços de enfermagem a Tito, que muitas vezes (muitas mesmo) durante as suas actuações pelas arenas de Portugal e Espanha, sofria tremendas colhidas e cargas de porrada de animais com cornos, nomeadamente novilhos, touros e maridos de namoradas casadas.
No Inverno, época em que na península ibérica não se realizam touradas, Tito de la Lomba, ganhava a vida como amestrador de feras no circo Romagnoli,.
O Grandioso Circo Romagnoli, vivia naquela época os seus tempos áureos, desde que o Sr. Cabrita, brilhante empresário algarvio radicado em Vila Nova da Barquinha, o havia adquirido a Dom José Romagnoli, na condição de manter a empresa com o nome do seu fundador.
Da falência iminente ao apogeu, foi um curto espaço de tempo. Sob a direcção de Cabrita o Circo Romagnoli contava agora com algumas das figuras maiores da arte circense nacional. Havia uma família de trapezistas, os fabulosos irmãos Aparício, que por acaso até são meus primos e que disputavam com Tito de La Lomba, o lugar de principal figura do espectáculo.A rivalidade entre os Aparícios e Tito era imensa. Ambas as partes tentavam superar-se constantemente, apresentando números cada vez mais arrojados e perigosos. Mas a rivalidade ultrapassava o espectáculo na pista, pois um dos Aparícios, Luís, disputava ferozmente com Tito o coração (e os favores sexuais) de Stephanie, a contorcionista da companhia.

(Continua quando tiver paciência para contar o resto)

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Escrito sensualmente às 1:54 AM

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Domingo, Julho 29, 2007
Cheirar a peixe
Após jantarem lamejinhas e enguias num conhecido restaurante na Lançada, ele e ela foram passear para o Fórum Montijo.
Ela - Hum, cheiramos a peixe.
Ele - Deixa lá, pior seria se cheirássemos a merda.
Ela - Sim, tens razão.
Ele - Se bem que acabei de peidar-me...



Gajos de bolsa
Para mim, a coisa começou com o Álvaro Cunhal. Recordo-me de vê-lo na TV, sempre de bolsa preta na mão. Talvez se lembrem, até chegou a correr o boato de que trazia lá dentro um rolo de papel higiénico.
Desconheço o que realmente transportava Cunhal, só sei é que essa estúpida moda masculina de usar bolsa não tem parado de aumentar.
As mais horríveis são aquelas de apertar à cintura, como a que o meu sogro usa. Aqui há dias a minha Sofia ofereceu-lhe uma bolsa nova. Ainda tentei ajudar a escolher o novo modelo, na esperança de encontrar alguma que fosse vermelha, com o emblema do glorioso bem destacado. Mas o velho sportinguista fez questão de sublinhar que preferia a sobriedade do preto e lá lhe fizeram a vontade.
Infelizmente, a Mekinha interpretou o meu interesse em escolher a bolsa para o pai dela como um sinal de que também eu desejaria semelhante peça de mau gosto para mim próprio.
Recentemente fiz anos e agora trago a tiracolo uma bolsa a dizer Camel Active, oferecida com todo o carinho pela minha amantíssima esposa.
Mal parece não usar a bolsa e agora o Barradas goza comigo, diz que é uma bolsa abichanada.
Claro, disso não tenho dúvidas. Mas notem que ao menos a bolsa tem a dizer Camel Active. Entendem ? Não diz Camel Passive. Portanto… podia ser pior.
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Últimos desenvolvimentos: Perdi a bolsa...



A importância do PSI20
Recentemente começaram a nascer-me pintelhos brancos na pele dos colhões. Estou a envelhecer, é o que é.
Claro que estes primeiros sinais de velhice, em si, não me ralam. O que me chateia realmente é pensar que ninguém no seu perfeito juízo pode esperar que alguém lhe chupe (ou mesmo lamba) os colhões ostentando nos mesmos, pintelhos brancos.
Procurei nos mais prestigiados blogs portugueses alguma informação, análise, ou até breve comentário acerca deste importante problema. Mas nada... rigorosamente nada. A nata da nossa intelectualidade blogosférica parece continuar a preocupar-se com o costume: política e futebol. De colhões com pintelhos brancos: nada, zero, tabu !
Eu também, se quisesse, podia falar aqui de merdas estúpidas só para me fazer passar por inteligente. Por exemplo, falava de Warrants, puts e calls, ou do nasdaq. Mas não, achei mais relevante informá-los acerca do estado dos meus colhões. Pelo menos a mim, interessa-me muito mais do que a bolsa de valores.
Mas pronto, quem passa a vida a coçar os colhões por não ter nada que fazer, acredito que nem os pintelhos nessa parte do corpo lhe cresçam. Deve ser por isso que ninguém fala deste assunto.
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PS: Tenho arrancado os malditos com uma pinça de sobrolhos da Mekinha. Dói um bocado, mas segurando a pele com os dedos indicador e médio da mão esquerda, não custa tanto.




Ideias para enriquecer.
Meus amigos, espero que estejam todos de boa saúde que eu por cá vou indo bem, felizmente.
Reparei que as visitas a este blog subiram bastante, sobretudo após vários dias sem ter publicado nenhum novo post. Não fosse por coisas ainda ficava a pensar que era uma subtil forma de agradecimento pelo meu silêncio.
Seja como for, quero desde já avisar que não cederei a pressões. Por mais visitas que me façam, por mais que este blog cresça, recuso-me a terminar a minha presença aqui.
Reparei igualmente que fui alvo de alguns prémios, os quais desde já agradeço. Assim que possa, irei reflectir maduramente sobre em quem votarei, a fim de não quebrar a corrente. O Barradas sugeriu-me que não perdesse tempo e procedesse a um sorteio para determinar quais os blogues em quem votar. Mas acontece que não sou de confiança e portanto não quero sucumbir à tentação de fazer batota.
Reparei também que alguns novos blogues incluíram-me na sua lista de links. Portanto, assim que possa, retribuirei.
Entretanto, para finalizar, quero uma vez mais reafirmar a condição de blog sério que é o “Abrupto Sexual” e portanto, em consonância com o seu respeitável estatuto, anuncio que neste espaço não procederei à publicação de qualquer espécie de teoria ou pseudo estudo sobre a localização ideal acerca do novo aeroporto de Lisboa. Para escrever disparates não contem comigo.
Por mim era no meio do Tejo, em pleno mar da Palha. Faziam assim uma espécie de ilha artificial e depois os aviões aterravam lá.
Mas isto era eu a decidir, que sou um idealista sempre a sonhar com um mundo perfeito. Por exemplo, ainda agora veio uma encomenda de cosméticos dum fornecedor e, do armazém disseram-me que tinham mandado umas coisas de que gosto muito. E eu, logo de relance, uma coisa de que gosto muito… hum, querem ver que enviaram uma remessa de cus ? Eh pá, sei lá… inventam tanta coisa porque não hão-de inventar cus soltos ?
Por exemplo, se eu fosse o Joe Berardo, o tanas é que esturrava o meu dinheiro a comprar acções do Benfica. Patrocinava era uma investigação a sério na área da clonagem. Descobrir a forma de criar cus em laboratório, por exemplo. Isso sim, um produto valioso e com procura no mercado.
É claro que, para não me acusarem de machista também mandaria que se criassem caralhos soltos. Há tanta gaja a queixar-se que o defeito dos caralhos é terem um homem pegado a ele, que estes concerteza seriam um sucesso. Podiam-se até, criar réplicas de caralhos famosos, em pura carne, para mulheres modernas que não vão em plásticos.
Na foto: o modelo "Rasputin".

Para terminar o post, quero dizer a todos que ultimamente a minha cabeça é uma autêntica brainstorm e que, assim que possa, passarei para o blog as minhas mais recentes descobertas acerca do sexo oposto ( e vice-versa) em mais uma magnífica demonstração do que é ser um Guru do Sexo à séria.
Beijinhos às damas e apertos de mão aos homens.

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